Na época que eu nasci, jacarés, rinocerontes e cavalos eram meros animais e muitos ainda pensavam que rótulos eram realmente pra geléias ..
- Ué, mas não continuam sendo ? Não.
Atualmente os pobres animaizinhos são rótulos, estampados em todo tipo de roupa ou qualquer coisa que se venda e desejados por todos dementes manipulados pela mídia.
Como pode uma pessoa se sentir mais segura ou ter sua auto-estima elevada porque no canto superior da sua camisa tem um cavalinho estampado ?
Sabendo que as outras pessoas realmente vão respeitá-la ou lhe dar alguma credibilidade por causa da marca da sua camisa ou do seu tênis. Como se chega à essa conclusão? Vivendo no Planeta Terra.
Muita gente fala em alto e bom tom que o que vale é a atitude, mas não é isso o que constatamos na prática, pelo contrário, temos constantes exemplo de que visual é tudo e atitude não é nada. Exemplifiquemos:
Ao assistir televisão vemos inúmeras pessoas que não possuem talento algum ganhando salários com cifras astronômicas e sendo tratados como reis, se esses não tivessem a oportunidade de entrar para o meio dificilmente se destacariam em qualquer outra atividade inteligente. Mas por que muitas dessas pessoas se destacam no meio televisivo e fazem a audiência subir como pau de pedófilo em filme de Peter Pan? Porque o Brasileiro valoriza exclusivamente o rostinho bonito e a bunda gigante, mesmo que um cérebro atrofiado e em putrefação acompanhe toda essa “maravilha”. Ao mesmo tempo vemos artistas de rua, poetas, músicos, pintores, artesãos, jogados na sarjeta, sem atenção alguma, sem ter o valor que merecem.
Esse é um problema cultural, desde pequenos somos ensinados que o bom é bonito e o ruim é feio, esteticamente falando, obviamente. Na maioria dos filmes e novelas, os mocinhos são bonitos e os bandidos são feios, os mocinhos usam roupas boas e engomadinhas enquanto os bandidos usam farrapos. Isso deveria ficar nas telas, mas o brasileiro tem o péssimo hábito de reger sua vida de acordo com o que as emissoras de televisão ditam, tais emissoras se fazem valer disso e continuam transmitindo novelas que não condizem com a realidade da grande maioria dos brasileiros, onde tudo termina em flores, pessoas vão comprar pão de jatinho, e os bandidos usam farrapos e portam armas de fogo. Quando voltamos para a vida real, percebemos que os ladrões de verdade usam terno e gravata e vão comprar pão de jatinho, e o bandido que veste farrapos e porta uma arma de fogo, boa parte das vezes só quer ter uma vida como a da novela, onde impera o consumismo, ninguém tem aluguel para pagar e o Haj acaba junto com a Maya. O “bandido” tenta aderir a esse consumismo doentio, mas antes de pensar em tentar ele já se depara com a sua realidade, totalmente diferente da novela, e pensa que vale de tudo para conseguir um tênis Nike ou um relógio da Gucci, inclusive roubar e matar.
Não só as novelas estimulam essa atitude consumista desenfreada, as propagandas veiculadas pelas emissoras de tv e rádio também são muito apelativas e dão a entender que produtos de determinada marca, mesmo que sejam completamente supérfulos, são fundamentais para a sua vida. Em alguns casos extremos a tentativa de enganar o consumidor é ridícula, como quando tentam nos convencer de que refrigerantes ou cerveja são fundamentais para nós.
Um pedaço de merda é um pedaço de merda, certo? Não! Na televisão ele é um pedaço de merda crocante e cremoso ao mesmo tempo, sem gorduras saturadas e com sabor divinamente divino.
Voltando às roupas, eu penso que pessoas que usam roupas muito caras se sentem mais seguras e elegantes pois pagaram muito mais caro do que o normal para uma peça de roupa, ou seja, é como uma compra de valores, se a pessoa não é inteligente ou não tem nenhuma outra qualidade notável, ela paga uma quantia exorbitante por uma peça de roupa ou um sapato, sabendo que a respeitarão mais por isso. Mais uma vez notamos a supremacia do dinheiro, você pode ser feio, chato, burro e estúpido, mas se você se paga 500 reais por uma peça de roupa e 800 em um sapato, você de alguma forma merece respeito, afinal, pagou por isso.
Tente parar por um momento e refletir, se pagar meio salário mínimo em uma bermuda vai fazer você deixar de ser o idiota que é ou cobrir os seus defeitos.
Se aceite como é e pare de tentar comprar qualidades, pessoas que te admiram pelas roupas que você usa não merecem nem os pedaços de si mesmo que você deixa na privada.
Isso não é um texto de auto-ajuda, até porque se você for um consumista ele não será muito agradável.
Do idiota assumido,
Yuri Moura.





